cabecario

Atualizado 11:12 PM, 11/23/2017

Ipu dos Antigos Preconceitos

Em 1927 foi construído e inaugurado pelo o então Prefeito Coronel Felix de Sousa Martins. Era o Jardim ou Avenida de Iracema assim era chamado. Muito bonito florido e inebriante com muitas das flores ali plantadas.

O Paredão data de 1942, construído pelo Interventor Dr. Humberto Aragão ficando entre a Praça de Iracema e Rua Cel. José Liberalino Dias Martins. Na mesma rua e mais adiante um pouquinho o Grêmio Recreativo Ipuense, sociedade recreativa e dançante fundado oficialmente em 1924.

Não ficando muito distante a famosa Ponte Seca e mais adiante no pé do Alto das Pedrinhas a casa da “Maria Maga”, isso mesmo “Maria MAGA”, chateau que funcionava às 24 horas do dia.

Por força do esfuziante preconceito foi criado outra Associação Dançante em 1918 por Artistas da Terra com o nome de Centro Artístico Ipuense e já em 1935 passou a se chamar de Clube Artista Ipuense.

Mais acima a Vila Nova, local de amor livre e sensual.

Por outro ângulo em 1940 quando das comemorações dos 100 anos de emancipação Politica do Município foi construída a Praça 26 de Agosto pelo Prefeito da época Dr Chagas Pinto. Que foi logo agnominada de a “Praça das Pirão Frios”, o que era isso? Eram as nossas domésticas ou secretarias que temos hoje em nossas casas. É repugnante uma denominação deste tipo, pois bem diante do citado acima, vamos começar a desmiuçar os porquês destas citações.

No jardim de Iracema ficou aplacada por alguns pseudos da aristocracia como a Avenida de primeira classe e que se limitava de acordo com os pensamentos atos e ações tão somente as pessoas RICAS E DE PELE BRANCA ou AMARELA. Não podendo assim passear na avenida por gente que não pertenciam as “Elites”, de segunda classe como eles chamavam Incríveis! E mais os casais que namorassem no Paredão e não podiam fazer os seus namoricos na dita Avenida.

O extenso e bonito Paredão que se constituía de escadarias, caramanchões, vasos com diferentes plantas ornamentais e uns postes com globos luminosos ostentando cada vez mais o ambiente. Este coitado ficou predestinado como um monumento de segunda classe. Foi destruído na gestão do Prefeito Francisco Rocha Aguiar no período de 1967 a 1970.

Grêmio Ipuense Associação da classe chamada de aristocrata (os aristocratas rurais), que não permitiam sequer qualquer uma pessoa de pele escura chegar nem perto dos seus “Monumentais Salões”.

Ai veio à criação o Centro Artístico Ipuense, em 1918 e depois Clube Artista ipuense, congregando os Artistas da Terra como: Marceneiros, Carpinteiros, Pedreiros e outros que viviam das artes no ano de 1935.

E foi-se. Alastrou-se em toda cidade estes preconceitos que alguns foram quebrados por este escriba.

Certa noite havia, eu chegado de Fortaleza para uns pouquinhos dias de folga no Ipu, era um mês de julho. Cheguei num comboio da condução REFESA, por volta de 17h00min. Um chapeado que logo me viu descer do vagão que me conduzia foi logo pegando minha maleta e levando para casa dos meus pais.

Fiquei no Pavilhão que a época era dirigido pelo nosso distinto amigo Florival, para tomar as primeiras bebericadas daquela tarde/noite.

Depois fui à casa dos meus pais para cumpri os costumes que eram de praxes, para em seguida curtir os poucos dias que ia passar na minha Ipu.

Fui ao encontro de uma namoradinha. Saímos logo em seguida para tomar um sorvete no Iraciara Bar.

Após o sorvete saímos para alguns passeios e consequentemente para alguns idílios.

Mas, como todo jovem é audacioso, e com umas na cabeça é atrevido e destemido e já acostumado com a vida da Capital (Fortaleza), resolvi memorialmente destruir aquele conceito miserável de não poder passear na Avenida de Iracema quem namorasse no Paredão. Chamada de Avenida de primeira classe. Eita que coisa pra me deixar com aquele nojo e vontade de vomitar muitas palavras que ofendessem aqueles pobres e incultos formadores de uma sociedade e puritanismo relapso.

De mãos dadas com a namoradinha de imediato me veio o ímpeto de namorar um pouco no Paredão. Convidei-a e ela de imediato recusou, mas logo em seguida consegui convence-la e ela aceitou. Ficamos lá por alguns minutos e depois fomos passear no Jardim de Iracema que era peremptoriamente proibido pelos “falsos aristocratas”, quando lá me viram cresceram os olhos em cima de mim e da jovem com quem eu estava, como prova de repudio ao nosso comportamento naquele dia, ou melhor, naquele momento. Esperei que me falassem alguma coisa, mas, nada falaram. No dia seguinte um dos mequetrefes de pele branca e bolso vazio, logo ao raiar dia a dia quando meu Pai se dirigia costumeiramente ao mercado para as compras do dia a dia (pois naquele tempo, não tínhamos geladeira – motivo não havia energia capaz de dar manutenção a este tipo de utensilio caseiro, tão comum nos dias de hoje).

Papai ao encontrar-se com um dos comiseradores e preconceituosos foi de imediato comunicando ao Papai que eu tinha cometido um ato desabonador a sociedade Ipuense. Papai foi logo lhe respondendo que eu era de maioridade e que ele me procurasse para falar comigo, resultado: ele não veio.

Na noite seguinte fiz a mesma coisa. Diante daquele meu posicionamento alguns de meus amigos assim fizeram. Acredito que a partir daquele momento eu havia quebrado o paradigma desse preconceito pernicioso e miserável do nosso Povo.

Com a chegada de um Gerente do Banco do Brasil, o Baiano Stelio da Conceição Araújo, de cor puramente negra assistimos de camarote outro preconceito quebrada ficando aos farelos a sociedade até então puritana.

Homem de estatuara mediana, mas, de branco só tinha os dentes. Sentou-se em uma mesa que era reservada somente para Diretoria do Clube ficando a vista de todos os presentes, e mais andava com sapato que não precisava usar meias e foi logo afrouxando as sapatilhas ficando com os pés nus para que todos assistissem aquele ato que para muitos dos presentes era desabonador.

Nada aconteceu. Os comandantes do Clube trataram logo de associa-lo, e assim foi feito. Sabem por quê? O homem era o gerente do Banco do Brasil e os meritórios de raça branca e sangue azul (aliais sangues azul não existe – MATA, pois o sangue é vermelho por conta da hemoglobina) eram os que mais precisavam do Banco. Resultado reinou por alguns anos no Banco e no Grêmio casando-se com uma distinta moça da sociedade de prenoção do Ipu.

Constituiu família e depois por força do seu emprego foi transferido do Ipu não sei pra onde.

Enfim meus caros leitores os primeiros passos da sociedade do Ipu começaram assim cheia de mazelas preconceituosas e miseráveis para um Povo de origem Indígena.

Ainda hoje existem uns gatos pingados que procuram manter esse ritmo de aristocracia, se aparentam com os velhos coronéis de “Elite que eu chamo de Rural”, pois todos viviam das rendas de um sitio na Serra e uma fazendo de gado no Sertão. E uma casa de comércio, ou mesmo uma BODEGA.

Diante do exposto indago: seria o Paredão um divisor social ou Religioso? Social sim, mas religioso por quê? Os Padres falavam na Igreja que pais de família não deviam deixar as suas filhas irem com os seus namorados para o Paredão.

Dai então veio à inspiração de composição do Zezé do Vale.

Zezé do Vale grande Músico e Compositor em uma de suas composições ele diz PRA SUA NAMORADA: se queres falar comigo/procure outro ambiente/pois aqui no Paredão? O Padre Briga com a gente.

Vejam bem como era o nosso Povo nas décadas de 50/60.

Ainda referindo-me ao Paredão quando a sua divisão, constamos de que do lado Sul do próprio, ficava a Ponte Seca, um lugar que muito serviu para o amor livre e sensual. Mais adiante o “chateau da” Maria “Maga”, sem esquecer o Grêmio que ficava logo abaixo do Paredão.

Para o lado Norte do Paredão A Avenida de Iracema com as suas parcialidades e em seguida fora criado pelos artistas da Terra, um clube no ano de 1918, como nome de Centro Artístico Ipuense, e tornando em 1935 Clubes Artista Ipuense. Era chamado pelos pseudos aristocratas de clube de segunda classe. Não muito distante a Vila Nova ou mesmo o cabaré da Sergina, local de prática e residência das prostitutas do Ipu e circunvizinhança.

Escrevi este texto para posteridade, quem gostou muito bem que não gostou que, escreva o seu.

Autor: Francisco de Assis Martins Titular da Cadeira Nº 15 da Academia Ipuense de Letras, Ciência e Artes.
Fonte:  Academia Ipuense de Letras, Ciência e Artes.

 

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