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Caro Chico.
Sobre o teu e-mail
(abaixo), conforme te pedi permissão, trago para o livro de visitas nosso papo
saudosista, que, com certeza, despertará o interesse de outros amigos. Veja mais
abaixo minha resposta:
“Mestre Boris,
Pois é. Basta a gente dá um
cutucãozin e a memória vai se abrindo.
Na verdade o Jorge Coelho
era meu tio.
A Flroriano lançou um Caqui
sanforizado acetinado, tinha aquela mesma linha em diagonal do linho LS 120 e
também o tropical inglês super-pitech (parece que escreve assim). Cortar um pano
errado era uma desgraça total. Tinha cortador de pano que dava aquele pequeno
corte com a tesoura e rasgava o resto com a mão. O rasgo corria enviezado, além
de que com a força feita para rasgar o tecido se esgarçava por um bom tamanho e
se você insistisse em costurar a roupa com este tecido com certeza ela ia ficar
com defeito.
E o GINÁSIO IPUENSE? Era
naquela casa do Seo Antonio Pereira ? Ali na esquina do BECO DA BEINHA. Foi lá
onde estudei do 1º ao 3º ginasial. Que casa hein Seo BORIS? abestalhado eu
ficava olhando aquelas portas imensas, um forro de madeira no teto com desenhos
em relevo. Na parede, no alto a uns 20 cm do forro de madeira, tinha uns
desenhos, parece que de flores lilás, com figuras geométricas, arrudiando toda a
sala e também em todas as dependências da casa. A casa foramava um "L"ali no
jardim e tinha um espaço abaixo do nivel do piso, como se fosse um anfiteatro,
onde um certo dia houve uma luta de box. O nosso lutador foi Antonio Pesão
engraxate (irmão de Damião) contra um pugilista itinerante que cheogu lá pelo
IPÚ.
Lá na imensa cozinha da
casa tinha um forno - tamanho igual só em padaria - Era lá no forno que eu
juntamente com Idalmir do Seo Italiano e Zé Mário Paulino entocavamos as frutas
que colhiamos pelo sitio, pra gente comer quando ficassem maduras. Isso a gente
fazia smepre na hora da aula de Canto Orfeônico com Dona Valderez, que havia nos
dispensado da aula porque não tinhamos os "trinados" exigidos para participarmos
do coro. Só que a gente tinha feito de pura sacanagem para não ficar na aula.
Quando checava a nosa vez no canto, saia os trinados mais horríveis e por isso
fomos dispensados. Em janeiro, passando lá pela Casa do GINASIO IPUENSE não
entendi como é que se pega uma casa histórica daquela e se divide em pequenos
cúbliculos - casa sala de aula que ficava no BECO DA BEINHA, fui sucateada para
pequenas vendas. Posso lhe dizer que fiquei trasntornado com o que vi. Ali
poderia ser uma fantastica pousada, ou então um magestosa residencia.
Até mais ver.
CHICO PARNAIBANO
- No Alto dos 14 vai
subindo devagar o caminhão do TARZAN DE TABATANA
tocando mulher rendeira.
Sialembra disso??”
Minha resposta:
Caro Chico.
Já falamos muito de panos,
agora falemos um pouco do velho e imponente Ginásio.
Quanto
mais se cutuca a tua memória, mais sai coisa. A casa é mesmo a dita cuja e foi
lá que eu estudei também até o terceiro ginasial. Os detalhes das salas, portas,
bandeirolas e forros, eram mesmo deslumbrantes, apesar de não estarem mais tão
vivos na minha cuca. A luta, recordo como se fosse hoje. O Antônio Pesão,
conhecido pelo apelido de “Antônio Foguim”, engraxate de profissão, vivia se
fobando que já havia sido lutador de boxe, que havia extraído o vômer quando
morava no Rio de Janeiro, onde era boxer.
Um belo
dia chega ao Ipu um crioulo franzino, vindo da Bahia, desafiando lutadores para
um embate, a fim de descolar um dinheirinho. A turma da “corda” começou a
desafiar o Foguim para luta, que ele era o tal, que aquele baianinho não era de
nada etc. Foguim, cheio de corda, aceitou o desafio. Tudo pronto, ringue armado,
lona esticada, a amplificadora espalhando convite para todo lado, a bilheteria
cheia. Nunca se viu tanta gente num evento raríssimo no Ipu. A torcida aos
gritos injetava mais corda, atiçando literalmente nosso Foguim, que a essa
altura já estava aos pinotes, todo caracterizado, chutando até o vento, dando
cangapé no ar, no seu tradicional pré-aquecimento e a torcida gritando: vai lá
Foguim! Dá uma mão de peia neste baiano atrevido! O gongo era o sino do Ginásio
e o juiz do combate todo a caráter, de gravatinha borboleta, autorizou o início
da luta. Foguim já havia dado umas três ou quatro voltas de marcha à ré se
esquivando dos tímidos golpes do adversário, e a turma atiçando: vai pra cima
Foguim! O nosso herói achou que já estava mesmo na hora e foi pra cima do baiano
todo de peito estufado e não deu outra: levou um cruzado de direita no pau da
venta e um esquerdo nas enxergas que cai de cu trancado já roncando. O juiz nem
abriu contagem, preocupado com a integridade física do nosso pugilista,
agachou-se e para sua surpresa, o Foguim, fingindo de morto, abria só um olho
para ver se o baiano ainda estava por perto, perguntou ao árbitro: meu sinhô, a
luta já acabou?
E assim,
meu caro Chico e demais leitores, se encerrava precocemente a gloriosa e
meteórica carreira do nosso mais famoso lutador.
Este, sem dúvida, será o
primeiro de alguns causos aqui do Ipu, que iremos relembrar neste site.
Abraço do amigo.
Boris/Ipu.
07/08/2007 |