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GRITO DO IPUÇABA

SALVEM-ME!

É o grito do Ipuçaba,

que sai do ventre do Ipu.

===============

 

Neste lustro, a Bica do Ipu chorou por duas vezes, por não ter água para jorrar do cimo ao sopé da serra, como sempre o fez, muito bem e por muito tempo, antes da degradante e desumana exploração do homem ipuense(?) da serra que vive às margens do riacho que a alimenta – o Ipuçaba – além dos da cidade, que complementam a crueldade, também com lixo, terraplanagem e construção nas proximidades do riacho.

 

Foi triste vê-la assim, por duas vezes, chorando por falta de si mesma, pedindo socorro aos filhos da terra que ela sempre emoldurou, escorregou, molhou e banhou, diuturna e perenemente até bem pouco tempo. Mas, infelizmente, o homem que diz evoluir, a está destruindo, ao invés de conservá-la e continuar cantando-a, decantando-a, em prosa e verso, para o Brasil e para o mundo.

 

Chora, Bica, chora! Um dia, quem sabe, um legítimo irmão teu te socorrerá e as tuas águas voltarão a lançar-se de ti, para banhar os teus natos e amigos que mais pensam em descuidar de ti e te explorar!

 

CONSEQUÊNCIAS DO CHORO

 

O motivo da falta da água que fez a Bicachorar da lágrima cair” (foto montagem da capa) é a constante agressão ao Riacho Ipuçaba, do seu nascente (na serra), ao seu final (no sertão), passando pela cidade, que ele escorrega e ela gratuitamente adorna, como uma constante e bonita doação da Natureza. Por causa da Bica, o Ipu é chamado de bela terra de Iracema, e o jornalista Inácio Augusto de Almeida -- meu amigo e ex-colega de caserna -- diz ser “a bica mais famosa do mundo”, porque é a “mais falada, mais comentada, mais inserida na literatura, brasileira ou mundial”, justifica.

 

Em recente ida ao Ipu, propositadamente percorri o Ipuçaba, do Ipu até Guaraciaba do Norte, junto com meu irmão Valdemir Mourão, e sua mulher, Maria do Carmo. O que vimos foi desmandos e degradações representadas por esgotos, lixos, barragens e construções irregulares, criminosas (FOTOS), às margens do riacho que alimenta a Bica – o quase saudoso Ipuçaba.

 

 

 

 

 

Quem vai do centro da cidade para o bairro do Alto dos Quatorze, pelo Beco da Bainha, ao se olhar para a esquerda, o que se é uma palhoça em construção e um quadrado de 50x50 metros (mais ou menos), aterrado com barro ou areia avermelhada, circundado por um alicerce ou anteparo. Resta saber o que vai funcionar ali. O que se sabe é que dali sairão mais destroços que irão ser jogados no Ipuçaba, exceto se a planificação do terreno foi feita para replantar arvores, e a latada para proteger as mudas. Será?


 

Foi fácil constatar, também, que esses crimes ambientais – terraplanagens, construções, barragens, esgotos e lixosnão se constituem crimes ecológicos praticados apenas agora, como dá a entender quem atualmente está a reclamar. Eles estão sendo cometidos hoje, sim, mas também muitos deles foram praticados há três, sete, 10, 15 anos ou mais. Nos últimos anos foi que começou a “papocar”, a ver-se, a sentir-se as desagradáveis consequências. Isto é certo!

 

 

PROVIDÊNCIAS CABÍVEIS

 

De fonte segura, estou sabendo que o Riacho Ipuçaba faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) da Bica do Ipu, e que, além do decreto de criação dela, providências podem ser acionadas com base na Constituição Federal, nas leis federais do Sistema de Unidades de Conservação, de Crimes Ambientais e do Código Florestal Brasileiro.

 

Sugere-se que a Associação dos Filhos e Amigos do Ipu (AFAI), encaminhe, com urgência, uma correspondência ao promotor de Justiça do Ipu, solicitando que ele acione a SEMACE para ela instruir o Comitê Gestor e incrementar o início de suas atividades oficiais e necessárias à salvação do combalido Riacho Ipuçaba. Todos sabem que o Ministério Público age quando acionado e, neste caso, ninguém mais indicado do que a AFAI, principalmente agora, como entidade de Utilidade Pública da terra de Delmiro Gouveia.

 

Por outro lado, a administração do município pode impedir, sim, os crimes ecológicos. Diz a minha fonte: “...a Lei que institui a Política Nacional de Meio Ambiente autorizou a atuação dos órgãos municipais, como entidades locais que integram o Sistema Nacional de Meio Ambiente”. E acrescenta ela: “A lei orgânica é apenas um dentre muitos diplomas legais que podem ser invocados para a proteção do riacho Ipuçaba”.

 

QUEM SABE O MOTIVO?

 

O que ainda não se sabe é o motivo que levou e está levando a nenhuma administração pública do Ipu -- de ontem e de hoje -- a não ter tomado as providências que esse caso ecológico impreterivelmente requer.

 

Então, não posso deixar de PERGUNTAR: Será que a força econômica, com a conivência do poder político, ganhou, está ganhando e vai continuar a ganhar com a destruição das belezas naturais do Ipu, doadas pelo nosso Criador?

 

A BICA DO IPU FOI CHUVEIRO DE IRACEMA.

A HISTÓRIA É LENDA, MAS A BELEZA É REAL.

 

jpMourão

(João Pereira Mourão)

Respeito ao Direito e à Verdade.

 

(ESCLARECIMENTO: Quero deixar evidente que esta matériatexto e fotos – é do cidadão ipuense jpMourão (João Pereira Mourão), e, NÃO, do diretor de marketing e comunicação da AFAI).



07/10/2009