Neste lustro, a Bica do Ipu já chorou por duas vezes, pornãoteráguaparajorrar do cimo ao sopé da serra, comosempre o fez, muitobem e pormuitotempo, antes da degradante e desumanaexploração do homem ipuense(?) da serraque vive às margens do riachoque a alimenta – o Ipuçaba – além dos da cidade, que complementam a crueldade, tambémcomlixo, terraplanagem e construção nas proximidades do riacho.
Foi triste vê-la assim, por duas vezes, chorando porfalta de simesma, pedindo socorro aos filhos da terraqueelasempre emoldurou, escorregou, molhou e banhou, diuturna e perenementeatébempoucotempo. Mas, infelizmente, o homemque diz evoluir, a está destruindo, ao invés de conservá-la e continuar cantando-a, decantando-a, emprosa e verso, para o Brasil e para o mundo.
Chora, Bica, chora! Umdia, quem sabe, umlegítimoirmãoteute socorrerá e as tuas águas voltarão a lançar-se de ti, parabanhar os teusnatos e amigosquemais pensam emdescuidar de ti e teexplorar!
CONSEQUÊNCIAS DO CHORO
O motivo da falta da águaquejá fez a Bica “chorar da lágrimacair” (fotomontagem da capa) é a constanteagressão ao Riacho Ipuçaba, do seunascente (na serra), ao seufinal (no sertão), passando pelacidade, queeleescorrega e elagratuitamenteadorna, como uma constante e bonitadoação da Natureza. Porcausa da Bica, o Ipu é chamado de belaterra de Iracema, e o jornalista Inácio Augusto de Almeida -- meuamigo e ex-colega de caserna -- diz ser “a bicamaisfamosa do mundo”, porque é a “maisfalada, mais comentada, mais inserida na literatura, brasileiraou mundial”, justifica.
Emrecenteida ao Ipu, propositadamente percorri o Ipuçaba, do Ipu até Guaraciaba do Norte, juntocommeuirmão Valdemir Mourão, e suamulher, Maria do Carmo. O que vimos foi desmandos e degradações representadas poresgotos, lixos, barragens e construçõesirregulares, criminosas (FOTOS), às margens do riachoquealimenta a Bica – o quasesaudoso Ipuçaba.
Quem vai do centro da cidadepara o bairro do Alto dos Quatorze, peloBeco da Bainha, ao se olharpara a esquerda, o que se vê é uma palhoçaemconstrução e umquadrado de 50x50 metros (maisoumenos), aterrado combarroouareia avermelhada, circundado porumalicerceouanteparo. Restasaber o que vai funcionarali. O quejá se sabe é que dali sairão maisdestroçosque irão ser jogados no Ipuçaba, exceto se a planificação do terreno foi feitaparareplantar arvores, e a latadaparaproteger as mudas. Será?
Foi fácilconstatar, também, queessescrimes ambientais – terraplanagens, construções, barragens, esgotos e lixos – não se constituem crimesecológicos praticados apenasagora, como dá a entenderquemsóatualmente está a reclamar. Eles estão sendo cometidos hoje, sim, mastambémmuitos deles foram praticados há três, sete, 10, 15 anosoumais. Nosúltimosanos foi que começou a “papocar”, a ver-se, a sentir-se as desagradáveis consequências. Isto é certo!
PROVIDÊNCIASCABÍVEIS
De fontesegura, estou sabendo que o Riacho Ipuçaba faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) da Bica do Ipu, e que, além do decreto de criação dela, providências podem ser acionadas combase na ConstituiçãoFederal, nas leisfederais do Sistema de Unidades de Conservação, de Crimes Ambientais e do Código Florestal Brasileiro.
Sugere-se que a Associação dos Filhos e Amigos do Ipu (AFAI), encaminhe, comurgência, uma correspondência ao promotor de Justiça do Ipu, solicitando queele acione a SEMACE paraelainstruir o Comitê Gestor e incrementar o início de suasatividadesoficiais e necessárias à salvação do combalido Riacho Ipuçaba. Todos sabem que o MinistérioPúblicosó age quando acionado e, neste caso, ninguémmais indicado do que a AFAI, principalmenteagora, comoentidade de UtilidadePública da terra de Delmiro Gouveia.
Poroutrolado, a administração do município pode impedir, sim, os crimesecológicos. Diz a minhafonte: “...a Leique institui a PolíticaNacional de MeioAmbiente autorizou a atuação dos órgãos municipais, comoentidadeslocaisque integram o SistemaNacional de MeioAmbiente”. E acrescenta ela: “A leiorgânica é apenasumdentremuitosdiplomaslegaisque podem serinvocadospara a proteção do riacho Ipuçaba”.
QUEM SABE O MOTIVO?
O queaindanão se sabe é o motivoque levou e está levando a nenhuma administraçãopública do Ipu -- de ontem e de hoje -- a nãoter tomado as providênciasqueessecasoecológico impreterivelmente requer.
Então, não posso deixar de PERGUNTAR: Será que a forçaeconômica, com a conivência do poderpolítico, ganhou, está ganhando e vai continuar a ganharcom a destruição das belezasnaturais do Ipu, doadas pelonossoCriador?
A BICA DO IPU FOI CHUVEIRO DE IRACEMA.
A HISTÓRIA É LENDA, MAS A BELEZA É REAL.
jpMourão
(João PereiraMourão)
Respeito ao Direito e à Verdade.
(ESCLARECIMENTO: Quero deixarevidenteque esta matéria – texto e fotos – é do cidadão ipuense jpMourão (João PereiraMourão), e, NÃO, do diretor de marketing e comunicação da AFAI).